Jugo leve

 

“Prove-me, cientificamente, uma frase de jesus. Tipo aquela ‘vinde a mim vós que estais aflitos e eu vos aliviarei, pois comigo o fardo é mais leve’. Quero que me prove que carregar 50 toneladas com Jesus fica mais leve?”

Comecemos, então, por pensar em como a dor acontece. Em que circunstâncias se administra o medicamento? Um manual de fisiologia diz-nos que a dor é um sinal fisiológico que caracteriza uma ferida celular visando a integridade do organismo pelo processo de retirada.

Então, dor é um sinal de vida, de saúde e só a tem quem está vivo e saudável. Se fosse sinal de doença, seria um sinal patológico.

A dor é, pois, um sinal fisiológico que tem por objectivo manter a integridade do organismo, ou seja, visa proteger-nos, defender-nos. Ex: Tenho a mão na chapa quente. O que faz tirar a mão? A dor.

Como é que a dor acontece?

Sempre que as células morrem, numa determinada quantidade, elas libertam uma substância que os nervos lêem e levam até ao cérebro o seguinte aviso. “as células estão a morrer”, diz a dor.

Mas, será que todos sentem a dor da mesma forma? Há gente que espeta o dedo numa agulha e faz um escândalo e outros têm cancro e comportam-se como se nada fosse. Ora, existe um motivo para ser diferente.

Na medula existe uma região chamada portão de controlo. Quando este portão está aberto, todos os estímulos dolorosos chegam ao cérebro e nós sentimos toda a dor; se o portão estiver 50% fechado, sentimos metade da dor e se estiver 80% fechado sentimos apenas 20%. Então, existem pessoas que têm esse portão mais aberto ou mais fechado. Todos temos esse portão. Mas o que faz com que o portão esteja mais aberto ou fechado, se abra ou se feche? Uma região no cérebro chamada sistema analgésico central (SAC) que produz algumas substâncias, como as encefalinas e as endorfinas. Quando estas substâncias entram na circulação, elas fecham o portão. Assim, quanto maior a quantidade dessas endorfinas, mais fechado vai estar o portão e menos dor sentimos. Quanto menor a quantidade de endorfinas e encefalinas, mais dor sentimos porque mais o portão se abre.

Agora, o que faz com que o cérebro de algumas pessoas produza mais ou menos endorfinas? A localização. O sistema analgésico central está localizado numa área cerebral chamada arqueocórtex, ou seja, no cérebro primitivo, na parte mais interna do córtex.

(‘Ok, mas o que é que isto tem a ver com jesus?’, poderá o leitor perguntar neste ponto do texto.)

Ora, no arqueocórtex é onde está tudo o que temos em comum com os animais. No neocórtex, está tudo o que distingue o homem do animal. O medo, a dor, a raiva ficam no arqueocórtex.  Onde fica a música? Neocórtex. Poesia? Neocórtex. A fé e a caridade estão no neocórtex.

O SAC está no arqueocórtex. Quando a actividade cerebral está centrada no neocórtex, libera o sistema analgésico central para funcionar mais, produzir mais endorfinas, fechar mais o portão e, logo, nós sentimos menos dor.

O que significa concentrar a actividade eléctrica no arqueocórtex? É quando nos comportamos como um animal; o SAC fica deprimido, produz menos endorfinas, e nós sentimos mais dor. Portanto, quando nos portamos irracionalmente, sentimos mais dor. Quando somos um homem, sentimos menos dor.

“Vinde a mim que estais aflitos e eu vos aliviarei, pois comigo todo o fardo é leve, todo o jugo é suave”, disse-nos Jesus.

O que significa estar com Jesus?

Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem, mansos e pacíficos. Ora, quem faz estas coisas, concentra a sua actividade cerebral no neocórtex. E quando isto acontece, a dor  diminui. Pelo contrário, quando nos afastamos de Jesus, a actividade está no arqueocórtex.

Então, imaginemos que estamos numa ladeira íngreme, com uma sacola pesada. Vamos subindo, revoltados. “Porque é que isto só me acontece a mim? Por que é que só eu tenho de carregar o saco e aquele ali nada?”. A raiva começa a subir. Ou seja, a nossa actividade foi toda para o arqueocórtex. Nisto, a meio da ladeira encontramos Jesus. O que é que acontece? Eu que concentrava a toda a actividade eléctrica cerebral no arquecórtex, de repente mudo. “Estou a servir a Deus” .Onde é que está a caridade, o amor ao próximo? No neocórtex.

A Irmã Dulce perdeu 80% da sua capacidade respiratória e subia as favelas de Salvador. Como é que ela conseguia? Será que o fardo dela não era muito pesado? Como é que os mártires conseguiam morrer queimados vivos e cantar ao mesmo tempo como nos relatam os livros de Emmanuel? Estariam a sentir a mesma dor que nós sentiríamos?

“Porque comigo todo o fardo é leve, todo o jugo é suave”.

Jesus disse a verdade dentro das mais modernas tendências da neurofisiologia. Não disse alegorias nem poesias. Mas essa não foi a única verdade que ele disse. Coisas que Jesus disse são hoje aplicáveis na psicologia, na gestão, na liderança e em muitas visões sociológicas da sociedade.

E nós não lembramos das últimas palavras do homem.

A mensagem de Jesus, longe de ser apenas uma mensagem evangélica de consolo à alma, é um tratado científico de harmonia do corpo e da mente, elaborado pelo terapeuta maior, legando à humanidade o roteiro para a paz em profundidade.